SAÚDE

Gripe pode aumentar em até seis vezes chances de ataque cardíaco


Para pessoas com 65 anos ou mais, risco permanece aumentado mesmo após meses da recuperação dos sintomas
Postada em 27/11/2018 09:24:19 | Atualizada em 27/11/2018 09:48:19

A gripe pode estar associada a muito mais do que os sintomas comuns como febre alta, congestão nasal e fadiga. Segundo estudo publicado no New England Journal, a doença pode aumentar em até seis vezes as chances de ataque cardíaco durante a semana após a contaminação pelo vírus[i].

 

 

Para as pessoas com 65 anos ou mais, o perigo é ainda maior, pois mesmo meses após a recuperação dos sintomas da gripe, o indivíduo ainda pode ter um risco maior de sofrer ataque cardíaco, derrame ou outros problemas cardiovasculares[ii].  

Tal aumento ocorre em função da inflamação dos músculos do coração e consequente maior risco de formação de coágulos sanguíneos[iii], responsáveis pela ocorrência de diversos problemas cardiovasculares.

 

Nos idosos, a gripe está relacionada a seis das 10 principais causas de hospitalização e pode evoluir, inclusive, para o óbito. A maioria das mortes por influenza sazonal é registrada nessa população, especialmente em não vacinados[iv].

A vacinação é a melhor alternativa para se prevenir, podendo ser feita tanto na rede privada quanto pública. Nas clínicas particulares, há duas vacinas contra o vírus influenza: as trivalentes e as quadrivalentes. As trivalentes protegem contra três tipos de vírus, enquanto as quadrivalentes oferecem proteção mais ampla, pois contém um vírus a mais, protegendo contra quatro tipos. O sistema público de saúde, porém, oferece apenas a vacina trivalente.

 

Recentemente, foi aprovada pela ANVISA uma vacina desenvolvida exclusivamente para a população acima dos 65 anos. Nesta população, a vacina apresentou-se 24,2% mais eficaz na proteção contra a gripe em comparação à vacina contra influenza trivalente aprovada atualmente no Brasil[v].

Adultos a partir de 65 anos são, particularmente, mais vulneráveis a complicações associadas ao vírus Influenza, o que significa que a resposta de anticorpos após o recebimento da vacina tradicional contra a gripe nessa população é mais baixa do que em adultos[vi].

A nova vacina aguarda definição de preço da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) para ser distribuída para clínicas particulares de todo o país.

 


 

[i] Kwong, J. et. al. (2018). Acute Myocardial Infarction After Laboratory-Confirmed Influenza Infection. The New England Journal of Medicine, 78(4), p.349.

[ii] NFID (2016). Reinvigorating Influenza Prevention in US Adults Age 65 Years and Older. Accessible at:http://www.adultvaccination.org/vpd/influenza/influenza-65-infographic/flu-65.pdfAccessed 05.07.18.

[iii] Warren-Gash, C, et. al. (2018). Laboratory-confirmed respiratory infections as triggers for acute myocardial infarction and stroke: a self-controlled case series analysis of national linked datasets from Scotland. European Respiratory Journal, 51, p.8.

[iv] http://www.who.int/en/news-room/fact-sheets/detail/influenza-(seasonal)

[v] DiazGranados CA, et al. Efficacy of High-Dose versus Standard-Dose Influenza Vaccine in Older AdultsN Engl J Med. 2014;371(7):635-645

[vi] DiazGranados CA, et al. Vaccine. 2015 Sep 11;33(38):4988-93. Prevention of serious events in adults 65 years of age or older: A comparison between high-dose and standard-dose inactivated influenza vaccines.

 

Por: Ketchum

 

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