LEVANTAMENTO

Desde 2003 a Bahia não tem um mês de janeiro com tantas mortes


Aumento de casos de covid e seus reflexos no organismo pode ser uma das causas
Postada em 16/02/2022 08:52:08 | Atualizada em 16/02/2022 08:57:22

Janeiro deste ano foi o primeiro mês mais mortal desde 2003, de acordo com dados divulgados pelos Cartórios de Registro Civil da Bahia. O aumento de casos do coronavírus causados pelo avanço da variante Ômicron e seus diferentes reflexos no organismo humano pode ser uma das explicações para o recorde histórico de óbitos, que registrou um crescimento de mais de 105% nos falecimentos por pneumonia em comparação ao mesmo mês de 2021.

Em janeiro deste ano, foram registrados 9.636 óbitos na Bahia, um aumento de 10,29% em relação ao ano anterior, que registrou 8.737 mortes no mês, e que já havia registrado crescimento de 11,6% nas mortes em relação a janeiro de 2020, ainda antes do início da pandemia no estado. Já as mortes por pneumonia passaram de 455, em janeiro de 2021, para 937 este ano. Em 2020, antes da pandemia, foram 530 mortes pela doença. 

 

Apesar da redução de mortes causadas por Covid-19 de 58,58% em janeiro, a alta transmissibilidade da nova cepa da doença foi responsável pelo aumento de infectados em todo o país e também já fez aumentar a taxa de óbitos, sobretudo entre não vacinados, idosos e pacientes com comorbidades. Segundo o pneumologista Guilhardo Fontes Ribeiro, a associação da Ômicron com doenças crônicas pré-existentes é responsável pelo agravamento dos novos casos, levando a óbito.

 

Causas


Outro dado observado pelos números de óbitos registrados pelos cartórios está relacionado ao crescimento de mortes por doenças do coração em janeiro deste ano na comparação com o primeiro mês do ano passado: causas cardiovasculares inespecíficas (32%), AVC (13,4%) e infarto (1,2%). Também registraram crescimento as mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) (156,4%), indeterminada (44,4%) e septicemia (24,8%).

 

“Por sua alta transmissibilidade, a variante está acometendo enorme faixa da população, e se ela atinge um grande número de pessoas, é muito provável que alguns desenvolvam a forma mais grave da doença. Estamos vivendo o pico da Ômicron, onde há a associação deste vírus com outras doenças, como a junção da gripe com a covid. Essa doença tem o potencial de desencadear e de descompensar outras doenças”, explica o especialista.

 

Para o presidente da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen/BA), Daniel Sampaio, os dados divulgados pelos Cartórios de Registro Civil da Bahia trazem mais informações importantes. “Diante dos dados percebemos a importância da vacinação, pois resultou em uma diminuição de mortes por Covid-19. Porém, ainda devemos nos manter atentos, já que ainda tivemos um número elevado de óbitos”, destaca Sampaio.

 

Registros


Dados do Brasil mostram que foram contabilizadas, em janeiro de 2022, 144.341 mortes no país, um aumento de 5% em relação ao primeiro mês de 2021, que já apresentara um crescimento de 22% comparação com o mesmo período de 2020, segundo o Portal da Transparência do Registro Civil, administrados pela Arpen.

 

Além disso, houve o aumento de mais de 70% das mortes causadas por pneumonia nacionalmente. Foram 21.718 óbitos em decorrência da doença, em janeiro deste ano, em comparação a 12.745 em janeiro do ano passado. Em 2020, antes da pandemia, foram contabilizadas 15.484 mortes por essa causa.

 

Cardiopatias

 

A associação também registrou aumento de mortes por doenças cardiovasculares, em janeiro de 2021, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Os óbitos por AVC cresceram 20%, por infarto 17% e por  causas cardiovasculares não especificadas 19%. Também houve aumento nas mortes por septicemia (23%), SRAG (9%) e por causas indeterminadas (9%). No Brasil, as mortes por Covid-19 tiveram redução de 55% no período.

 

Os dados constam no Portal da Transparência do Registro Civil (https://transparencia.registrocivil.org.br/ inicio), base de dados administrada pela Arpen/BR, abastecida em tempo real pelos atos de nascimentos, casamentos e óbitos praticados pelos 7.658 cartórios de registro civil do país e cruzados com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que utiliza como base os dados de todos os cartórios brasileiros.

 

 

Por: CliC101 | A Tarde

 

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