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MUDANÇA INÉDITA

Setor florestal tem primeira presidência 100% feminina

Mudança inédita na governança florestal coloca três executivas no comando do sistema de certificação que influencia milhões de hectares de florestas no país
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Por: Linkedin | Pub.: 08/03/2026 06:51 | Atual.:08/03/2026 07:09
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Eunice Brito, Virgínia de Camargos e Andrea Graf Werneburg: as mulheres no comando

A governança florestal brasileira começou 2026 com um marco histórico. Pela primeira vez desde a criação do Forest Stewardship Council no país, a presidência do FSC Brasil passou a ser ocupada exclusivamente por mulheres — um movimento que reflete a crescente pressão global por diversidade, sustentabilidade e transparência nas cadeias produtivas ligadas ao uso de recursos naturais.

Desde 1º de janeiro, a entidade é comandada por Eunice Brito, presidente pela câmara social, com Andrea Graf Werneburg como 1ª vice-presidente (câmara ambiental) e Virgínia Londe de Camargos como 2ª vice-presidente (câmara econômica). A nova composição representa um avanço simbólico e institucional em um setor historicamente dominado por lideranças masculinas.

Para Eunice Brito, a presença feminina na liderança pode contribuir para ampliar o diálogo entre os diferentes atores do setor florestal. “As mulheres trazem uma liderança que combina técnica, sensibilidade territorial e visão sistêmica. Mulheres frequentemente articulam diferentes atores com maior capacidade de mediação”, afirma.

Sistema que influencia o manejo

Reconhecido globalmente, o Forest Stewardship Council é considerado um dos sistemas mais rigorosos de certificação florestal do mundo, avaliando simultaneamente critérios ambientais, sociais e econômicos do manejo florestal.

No Brasil, o sistema já reúne mais de 1.350 certificados de cadeia de custódia e cerca de 10 milhões de hectares certificados, envolvendo tanto florestas naturais quanto áreas de árvores plantadas. A certificação também monitora impactos relacionados a serviços ecossistêmicos, reforçando a rastreabilidade das cadeias produtivas.

A governança do FSC é baseada em um modelo de equilíbrio entre três câmaras — ambiental, social e econômica — que participam de forma igualitária das decisões, evitando a predominância de interesses específicos dentro do sistema.

Sustentabilidade acelera mudanças

A nova liderança surge em um momento de transformação no mercado global de produtos florestais. Investidores, consumidores e governos têm ampliado as exigências por cadeias produtivas rastreáveis e ambientalmente responsáveis, especialmente em setores ligados à madeira, papel, celulose e produtos derivados da floresta.

Segundo Andrea Graf Werneburg, a sustentabilidade deixou de ser apenas um diferencial competitivo e passou a integrar o próprio modelo de negócios das empresas. “Hoje, encaramos a agenda de sustentabilidade como algo inerente aos negócios, e esse será um caminho sem volta”, afirma.

Nesse cenário, a nova presidência feminina do FSC Brasil representa não apenas um avanço em diversidade, mas também um sinal do amadurecimento institucional do setor florestal diante dos desafios climáticos e sociais que marcam a economia global.


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