ROTA GASTRONÔMICA
Matriarcas de Trancoso: histórias servidas à mesa
Por: Comunicação Porto Seguro | Pub.:
14/09/2026 06:44 | Atual.:14/09/2026 06:52
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Antes de Trancoso conquistar projeção internacional, mulheres já transformavam ingredientes do mar, da roça e dos quintais em sustento, hospitalidade e identidade. Reunidas na Rota Gastronômica das Matriarcas de Trancoso, seis casas preservam receitas, memórias e saberes transmitidos entre gerações, revelando a força feminina na formação cultural e gastronômica do distrito.
*Casa da Glória — uma casa de família aberta para o mundo*
Fundada em 1987 por Maria da Glória e João Grande, a Casa da Glória nasceu quando Trancoso ainda mantinha o cotidiano de uma vila de pescadores. Cozinheira, parteira e mãe de 18 filhos, Dona Glória transformava alimentos do mar e da roça em refeições. Hoje, seus descendentes preservam pratos como feijoada, bobó, caruru, cocadas e pescados.
*Silvana e Cia — quatro décadas de sabor e dedicação*
Silvana e José Vieira fundaram o Silvana e Cia em 1982, dentro da própria casa. O negócio começou com pães, cocadas, limonadas e sucos, ganhando novos pratos com a chegada dos primeiros viajantes. Moquecas, bobó e peixe assado na folha de bananeira tornaram-se clássicos. Atualmente, filhos e netos dão continuidade à tradição familiar.
*Ali Na Janete — um pedaço de Trancoso em cada prato*
Nativa de Trancoso, Janete Vieira Bonfim começou preparando moquecas, frutos do mar e receitas baianas na praia. Em 2000, levou sua cozinha para o Quadrado e fundou o Ali Na Janete. Camarão na moranga, bobó, pirão, farofa de dendê e pescados preservam a identidade local. Hoje, filhos e genro participam da continuidade da casa.
*O Cacau — a Bahia entre o sagrado, a arte e a cozinha*
Fundado em 1999 por Dora Miranda e Julieta Lemos, O Cacau nasceu próximo à histórica igreja do Quadrado. Mais tarde, Maria de Fátima, irmã de Dora, tornou-se sócia. A cozinha contemporânea preserva raízes baianas em pratos como acarajé, beiju com queijo e camarão com coco seco, cercados por arte sacra, música e referências culturais da Bahia.
*Cantinho Doce — sabores do histórico Quadrado*
Fundado em 1987 pela trancosense Cássia Vieira Borges, o Cantinho Doce surgiu de uma barraquinha montada durante as festas juninas. Doces, caldos e comidas típicas abriram caminho para o restaurante. Frutos do mar, tapioca, coco, banana e pimenta-de-cheiro valorizam o território, enquanto o strogonoff de lagosta no abacaxi permanece como prato emblemático da casa.
*Casa Rabanete — o tempero de Mainha atravessa gerações*
Criada pela família em 1993, no Quadrado, a Casa Rabanete tem Dona Glória Possa, a Mainha, como inspiração gastronômica. Começou como pizzaria e, por volta de 2000, adotou o self-service. Moquecas, peixes assados, carne do sol, cocadas, bolos e a Coxinha de Mainha preservam um legado familiar que já atravessa três gerações.
*Uma rota de sabores, mulheres e memória*
A Rota Gastronômica das Matriarcas de Trancoso reúne seis restaurantes que permanecem em atividade, conectando tradição, identidade e hospitalidade. Mantidas por suas fundadoras ou pelas novas gerações, essas casas convidam moradores e visitantes a conhecer Trancoso por meio de receitas afetivas, ingredientes locais e histórias femininas que continuam sendo preservadas e servidas à mesa.