ECONOMIA
EUA propõem tarifa de 25% sobre importações brasileiras após investigação comercial

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, propuseram uma nova tarifa de 25% sobre uma ampla gama de produtos importados do Brasil, após a conclusão da investigação comercial contra o país.
A medida foi anunciada nesta segunda-feira (01/06) pelo representante comercial norte-americano, Jamieson Greer, após o término da investigação que apontou supostas práticas comerciais brasileiras consideradas “irrazoáveis ou discriminatórias” e prejudiciais aos interesses econômicos dos Estados Unidos.
O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) colocou em consulta pública uma série de “medidas corretivas” que inclui a tarifa de 25%. Segundo o órgão, determinadas ações, políticas e práticas adotadas por Brasília “oneram ou restringem o comércio dos EUA”, justificando a possibilidade de novas sanções tarifárias.
“Ao longo do último ano, o presidente Trump e eu tivemos várias reuniões construtivas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o seu gabinete, que se intensificaram nas últimas semanas. Contudo, continuamos a ter divergências substanciais na resolução das questões identificadas nesta investigação”, afirmou Greer.
A decisão passará por audiências e envio de comentários. A audiência pública está prevista para o dia 6 de julho e o prazo para a adoção dessas medidas, no dia 15.
Pontos questionados
A investigação foi conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana, instrumento utilizado por Washington para contestar políticas de parceiros comerciais consideradas injustas.
Entre os pontos questionados pelo governo norte-americano estão as regras brasileiras para comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais classificadas como “injustas”, a aplicação de medidas anticorrupção, a proteção da propriedade intelectual, as condições de acesso ao mercado de etanol e questões relacionadas ao desmatamento ilegal.
Greer declarou que pretende continuar dialogando com Brasília antes do prazo legal de 15 de julho de 2026 para a adoção de eventuais medidas. “Estados Unidos continuam a manter negociações intensas com o Brasil em busca de uma solução para as preocupações norte-americanas”, disse o representante comercial.
Apesar da ameaça tarifária, alguns produtos brasileiros foram excluídos da proposta. De acordo com informações divulgadas pela Reuters, itens como carne bovina, café, metais de terras raras, outros minerais estratégicos e peças de aeronaves não seriam afetados pelas novas tarifas. A exclusão desses setores reflete a relevância de determinadas cadeias de suprimento brasileiras para a economia norte-americana.
Segundo a Reuters, a nova tarifa substituiria parcialmente uma sobretaxa de 50% imposta por Trump no ano passado sobre diversos produtos brasileiros.