Cristina
LÁ, COMO CÁ - Fraude, evasão fiscal, falsificação de documentos e apropriação de verba pública
O palacete de Pedralbes, luxuoso imóvel de Barcelona de propriedade da princesa Cristina e seu marido, Iñaki Urdangarin, foi embargado nesta segunda-feira (4).
A Justiça espanhola ordenou o bloqueio de outras 16 propriedades do casal real para cobrir 6 milhões de euros - valor que Urdangarin e seu ex-sócio Diego Torres teriam desviado de fundos públicos. Metade do palacete, avaliado em 10 milhões de euros, ficará embargado.
O genro do rei Juan Carlos, casado com a princesa Cristina em 19/06/2010, é acusado de fraude, evasão fiscal, falsificação de documentos e apropriação de verba pública. Urdangarin é acusado de ter se aproveitado de sua influência devido ao parentesco com a família real para conseguir uma série de benefícios para a organização que comandava.
Ainda nesta segunda-feira, a Justiça intimou para os próximos dias 15 e 16 a prefeita de Valência, Rita Barberá, e o ex-presidente da Comunidade Valenciana Francisco Campos para depor sobre sua participação nos negícios de Urdangarin.
Cristina chegou a ser acusada de cumplicidade com os supostos delitos do marido, mas em 7 de maio, a acusação foi derrubada por falta de provas. A Justiça, no entanto, investiga se houve fraude fiscal, já que a princesa era dona de metade da holding Aizoon, empresa criada pelo marido e que canalizava fundos para o Instituto Nóos.
Segundo os promotores, o dinheiro não foi investido na organização, mas em gastos particulares do casal. Eles também insistem em que, se por um lado Cristina poderia desconhecer a origem dos fundos, seria muito improvável que não desconfiasse que sua origem representaria um crime contra a Receita espanhola - como organização sem fins lucrativos, o instituto declarava o que recebia, mas não pagava impostos pelo valor.
Em outra frente de investigação, a Justiça espanhola revelou que a princesa praticamente dobrou sua renda em dois anos: dos € 162.360 que recebeu em 2007, passou a nada menos que € 319.260 em 2009. No mesmo período, Cristina deixou de declarar atividades econômicas que justificariam o aumento de seus ingressos.
O escândalo só faz aumentar o descontentamento dos espanhóis com a família real, num momento de grave crise econômica, em que o desemprego afeta 27% da população.